Pagina inicial Edição impressa Editorial O tempo comprovou a correção de Zuanazzi
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O tempo comprovou a correção de Zuanazzi PDF Imprimir E-mail
Qua, 23 de Julho de 2008 14:01

Passado quase um ano do ápice da crise, que começou com o apagão provocado pelos controladores e se desdobrou de forma acirrada no acidente da TAM, em Congonhas, o cenário de hoje reflete exatamente as posições adotadas por Zuanazzi, tanto na operação do aeroporto central de São Paulo como também nos motivos de atrasos promovidos por uma tropa insubordinada.

A mídia de uma forma geral embarcou nas soluções estapafúrdias apresentadas pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, que virou o maior algoz de Zuanazzi. O ministro, contrariando as soluções construídas pelo presidente da Agência Nacional de Aviação Civil, resolveu cancelar os vôos de conexão de Congonhas, suspendeu as operações de charter (transferido-as para Viracopos), limitou os vôos para cidades que estivessem a menos de 1 mil quilômetros, prometeu a construção da terceira pista de Cumbica e de barreiras de contenção em Congonhas, elegeu um local para a criação de um novo aeroporto em São Paulo, garantiu compensações para os passageiros por atrasos de vôos e se negou ao diálogo com as companhias aéreas, para as quais prometeu rédeas curtas. Além disso, prometeu uma ANAC com dirigentes profissionais sem influência política, que aumentaria os espaços entre as poltronas, além de afirmar que não haveria aumento de preços nas tarifas aéreas para não prejudicar os passageiros. Enfim, um cenário de absoluta ficção e que só existiu nas entrevistas coletivas e primeiras páginas dos jornais.

Todas as medidas prometidas por Jobim foram abortadas ou intencionalmente esquecidas. O retrato real, hoje, é o mesmo traçado por Milton Zuanazzi e apresentado no Palácio do Planalto pelo então ministro Walfrido dos Mares Guia. O único que não quis ouvir por pura birra foi Nelson Jobim, que nunca recebeu o então presidente da Anac em audiência. Exigiu publicamente a sua renúncia para nomear uma neófita em aviação, Solange Paiva Vieira, que teve como principal missão a de implantar um cenário real de caos na Agência Nacional de Aviação Civil, o que Jobim julgava pré-existir. A saída do brigadeiro Allemander Pereira, o primeiro diretor nomeado na nova gestão, foi a prova mais contundente do cenário de conflitos que a agência passou a viver.

Mas voltando as promessas jobinianas: as conexões em Congonhas voltaram a existir. O limite do alcance de vôos foi abolido, o ciclo de pouso e decolagem passou a ser o mesmo que a antiga diretoria da ANAC planejou, a terceira pista de Cumbica foi descartada, o terceiro aeroporto foi esquecido, os vôos fretados voltaram à Congonhas, as nomeações para a diretoria foram políticas, o diálogo com as companhias aéreas foi iniciado de forma respeitosa e civilizada e os preços das passagens aéreas dispararam.

Como ficou comprovado no depoimento de mais de 8 horas no Senado da República, o foco de descontentamento e arrogância dentro da antiga ANAC tinha um nome e endereço: Denise Abreu. A sua saída bastaria para sanear a agência.

Neste cenário confuso, Milton Zuanazzi manteve a sua serenidade e bom senso. Até quando foi agredido por familiares das vitimas em um lamentável episódio em Porto Alegre ou quando resolveu se desligar da direção da maior operadora de turismo do país, mediante a pressão de familiares que ameaçavam fazer manifestações públicas devido a sua contratação.

Neste caso em tela, o de responsabilizá-lo pelo acidente de Congonhas, pesava uma denúncia realizada pelo procurador público de São Paulo, que o acusou de improbidade administrativa com relação a uma portaria da Anac, que nunca foi colocada em prática e que teria sido utilizada por Denise Abreu para fazer a justiça de São Paulo suspender a limitação do uso da pista do aeroporto para vôos de Boeings 737 e dos Airbus.
Na semana passada o juiz federal mandou arquivar o processo, dando uma sentença que inocentava Zuanazzi e também a ex-diretora da Anac.

Sobre o acidente, as investigações da Aeronáutica apontam como causa a falha da posição das manetes. O avião acelerou, enquanto deveria frear.

Finalmente, ao depor no Senado, logo depois de Denise Abreu, o ex-presidente da ANAC teve uma chance de reafirmar novamente a sua lucidez, o que levou o senador Paulo Paim a sintetizar o sentimento comum a todos: a Anac estaria muito melhor se Zuanazzi tivesse continuado.

 
 
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