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A importância do papel da imprensa em uma sociedade democrática é indiscutível. Porém, toda vez que é exercido o papel da informação, contrariando interesses de ocupantes de funções públicas ou de ordenadores de despesa de orçamento público, passa a existir um questionamento. Quais os interesses contrariados que levam um veículo ou um jornalista a ter um posicionamento mais duro ou mais critico? É sempre uma das perguntas que surge. Algumas vezes, a técnica de defesa é questionar o motivo ao invés de responder fundamentadas revelações. Na prática é uma tentativa de inversão de papéis. O denunciado que virar denunciador. Cria-se uma cortina de fumaça para ocultar algum dolo ou deslize. Recentemente, assistimos um pequeno núcleo jornalístico, o site Congresso em Foco, pautar a grande mídia na investigação sobre o abuso do uso das passagens aéreas no Congresso Nacional. As informações estavam ali, a disposição de todos, e só depois que eles fizeram o dever de casa, que nenhum outro veículo nacional realizou, é que o assunto virou manchete e ganhou horário nobre nas televisões. A grande lição é que, nos dias de hoje, com internet, blogs e informes on-line, não existe veículo pequeno. O que pesa é o valor da informação e o peso da investigação. O Jornal de Turismo, nos seus 43 anos de vida, teve vários embates com dirigentes da EMBRATUR. O fundador, o jornalista C. Araujo Castro, em plena ditadura militar, dedicou várias manchetes e editoriais para denunciar dirigentes dos órgãos de turismo que cometiam excessos ou prejudicavam a iniciativa privada. O jornal chegou a ser processado por um presidente da EMBRATUR. Nestas quatro décadas, convivemos com vários nomes que dirigiram o turismo. Eles passaram. A função pública é transitória na sua essência, mas o jornal continua firme na defesa dos seus princípios históricos. Muitas vezes, o exercício do jornalismo crítico e investigativo exige sacrifícios empresariais. O interesse publicitário não pode sobrepor a informação com independência. Por exemplo, uma semana antes do editorial publicado no jornal sobre o WTTC, todas as negociações que estavam em andamento com a Diretoria de Marketing da EMBRATUR foram canceladas. Por email afirmamos: “Por uma questão de ética não queremos estabelecer nenhuma relação publicitária com a EMBRATUR, conforme lhe antecipamos, por telefone, na semana passada, quando solicitamos suspender qualquer andamento de projetos de mídia relacionados com o Jornal de Turismo”. Outro envolvido no caso WTTC, o Costão do Santinho, foi, no passado, alvo de defesa veemente do Jornal de Turismo contra os abusos cometidos no caso da Operação Moeda Verde, em Santa Catarina. O departamento comercial do JT foi proibido de enviar qualquer tipo de proposta publicitária para eles desde aquela época. O Jornal de Turismo, a exemplo de outros veículos de comunicação, é uma empresa privada e a receita é que garante sua sobrevivência. Essa receita deve existir como consequência e não como objetivo das relações e posicionamento editorial. No mercado, muitas vezes esta posição de independência causa furor e incompreensão. Foi dessa forma com o setor de cruzeiros marítimos, quando defendemos a hotelaria, com a defesa da velha VARIG, com a defesa do Zuanazzi na ANAC, nas críticas aos abusos cometidos pela atual gestão da ANAC, nas críticas aos abusos de Carlos Wilson na Infraero, na defesa da gestão do Sergio Gaudenzi, na defesa da ministra Marta, quando foi injustamente crucificada por uma frase infeliz, e dezenas de outras bandeiras históricas, incluindo, agora, o alerta vermelho nos problemas da promoção no exterior e por uma transparência maior nas contas do WTTC. A pergunta que nos é feita e, algumas vezes, até por concorrentes é: “O que vocês ganham com isso? Uma pergunta que no fundo dói, por passar a sensação de que vivemos em um mundo de oportunismo e que cada ação deve corresponder a um interesse venal. Desta forma, nunca chegará a hora da turma do bem vencer. Da turma que luta por dias melhores, por um País justo e pelo respeito ao dinheiro público. Quem ocupa cargo público deve saber que é, na verdade, empregado do povo. É um funcionário, pago regiamente para zelar pela probidade e respeito ao dinheiro do contribuinte. Acabamos de questionar o destino de R$ 2,5 milhões. É mais de US$ 1 milhão. Dinheiro que resolveria o problema de muitas pessoas e até de famílias por gerações. Pense rápido, como você se sentiria de tivesse US$ 1,2 milhão na sua conta? Vivemos uma era de banalização da violência e de banalização dos gastos públicos. Dois milhões e quinhentos mil reais é muito dinheiro, principalmente quando é dinheiro oriundo de impostos. Colocar a lupa na prestação de contas de cada centavo não é apenas um dever jornalístico, é nosso dever como cidadão. Continuamos esperando as respostas aos questionamentos que fizemos em primeira página, na internet e em e-mails. Do primeiro artigo sobre o WTTC até hoje, nenhuma linha de resposta. A tática de criar uma cortina de fumaça para evitar dar as respostas necessárias tem sido visível. O alerta foi dado a partir de fatos e, em nome desses fatos, continuaremos a cobrar as devidas explicações.
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